

Na primeira indicação da discoteca básica de todo colecionador ou amante da musica reggae, trago um dos discos mais vendidos em toda a história da musica mundial. O ano era 1973 e a intenção do reggae sob a insígnia dos The Wailers era a de conquistar a América com uma batida vinda direto do terceiro mundo, que pregava questões políticas e tinha a militância e o protesto como finalidade. O planeta pouco sabia da existência dos cinco integrantes que uniram à batida do reggae algo que ia muito além do baixo pesado e da repetição de guitarras. Eles queriam mais musicalmente e foi assim que nasceu "Catch a Fire" – o mais conhecido de todos os discos com o carimbo de selo de qualidade Bob Marley & The Wailers.
Para tal façanha ser atingida, as gravações originais foram realizadas na Jamaica e finalizadas em Londres, nos estúdios da Island Recors, sob a batuta do fundador do selo Chris Blackwell. Ele achava que para "Catch a Fire" atingir o público mundial era preciso aproximá-lo ao rock e isso foi feito: contratou músicos brancos – com a permissão dos Wailers – como o guitarrista Wayne Perkins e o tecladista John Rabbit Bundrick e conseguiu suavizar o som original e pesado utilizando muitos overdubs e teclados firmes. A comparação do arranjo original da faixa de abertura, "Concrete Jungle", com sua versão final deixa bem nítida a participação do produtor -- ambas presentes em uma edição em CD, de 2001.
Até a capa do LP entrou na dança e foi lançada com um visual rock: um isqueiro que abria e fechava conforme se retirava o bolachão, uma alusão implícita ao consumo habitual da erva – conceito parecido ao aplicado no álbum "Stick Fingers" (1971), dos Rolling Stones, em que um zíper da calça jeans estampada na capa podia ser aberto pelos fãs. Após o reggae navegar pelos sete mares, dois bônus foram adicionados ao repertório original de "Catch a Fire" e uma foto do Bob Marley tragando um imenso baseado virou o cartão de visitas do discão.